Este
não é um blog que informa sobre os
países que falam as variedades da língua chinesa. Então, por que publico aqui um texto sobre
Hong Kong, cujo nome oficial é Região Administrativa Especial de Hong Kong da
República Popular da China?
O
fato é que, apesar de apenas 4,3% da população ter o idioma inglês como língua
nativa, 53,1% dos habitantes de Hong Kong têm proficiência em inglês, superando os 48,6% do
mandarim (1,9% da população falam esta como primeira língua). No entanto, importante
ressaltar que o cantonês, outra variação do chinês, é insuperável: 94,6% dos
habitantes falam o idioma, sendo que 88,9% o falam como idioma nativo.
Mas
por que essa região, uma das mais densamente povoadas no mundo, hoje com mais
de 7,4 milhões de pessoas de várias nacionalidades, localizada em um território
de 1.104 quilômetros quadrados, está tão relacionada com o idioma inglês?
Nos
séculos 17 e 18, a demanda europeia por artigos chineses, como seda, porcelana
e chá, gerou um desequilíbrio na balança comercial entre a China e o Império
Britânico. Este, para equilibrar a situação, cultivou ópio na Índia e começou a
contrabandeá-lo para a China. A reversão da balança comercial foi prejudicial
para o Império Chinês Qing. Além disso, as autoridades orientais ficaram muito
preocupadas com o aumento de viciados em ópio dentro do país.
A ocupação colonialista britânica, que estava em pleno crescimento no século XIX, e
as medidas do governo chinês contra o comércio de ópio geraram conflitos
diplomáticos que culminaram na 1ª. Guerra do Ópio. O resultado, desfavorável para
os chineses, terminou com o tratado de Nanquim, no qual a cidade de Hong Kong
foi cedida aos britânicos. A segunda guerra do Ópio (1856 a 1860) ainda gerou
condições mais favoráveis para o Império Britânico pelo Tratado de Tianjin.
Nessa, os franceses também participaram e se beneficiaram também, pois estavam
unidos aos vencedores.
A
colônia foi expandida em 1898, quando os britânicos obtiveram uma concessão de
99 anos dos novos territórios. A Universidade de Hong Kong foi estabelecida em
1911 como a primeira instituição de educação superior do território.
Desde
que eu era muito jovem sempre escutava que Hong Kong era uma região muito
desenvolvida, completamente diferente da China continental, tanto em termos
culturais como comerciais. E, a partir do momento que comecei a estudar e
pesquisar sobre relações internacionais, fiquei sabendo que, em 1997, Hong Kong
teria que retornar à China.
Eu
me lembro bem desse momento, ocorrido em 1º de janeiro de 1997, após 156 de
domínio britânico.
O
Reino Unido modificou muito após a 2ª. Guerra, perdendo suas colônias e se
tornando um ator menor nas decisões mundiais. Mas, por outro lado, sua
população foi gradualmente ganhando muito mais direitos e democracia.
Já a China, antes um império monárquico, se tornou comunista no
decorrer do século XX. E, após profundas reformas, se converteu um uma ditadura
com liberdade comercial e incentivo brutal do estado ao investimento do
capital.
Quando
as autoridades britânicas negociaram a devolução de Hong Kong, a China ainda
não era a potência que se tornou no século XXI, apesar de estar caminhando a
passos largos para tal. Creio que, por isso, Hong Kong conseguiu ter uma legislação
especial para seu território, com algumas liberdades, chamada de ‘um país, dois
sistemas’.
Os
protestos de 2019 em Hong Kong são uma série de manifestações locais e em
outras cidades ao redor do mundo, exigindo a retirada do Projeto de Lei de Extradição de Hong Kong, proposto pelo Governo regional. Teme-se que o
projeto de lei faça com que a cidade se abra ao alcance da lei chinesa e que as
pessoas de Hong Kong fiquem sujeitas a um sistema legal diferente.
Acompanhemos
as próximas notícias. Eu torço para que a população de Hong Kong consiga essa
difícil vitória e que ela contamine os outros territórios chineses.
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de aprender ou aperfeiçoar os idiomas inglês, espanhol, francês e saber mais da
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Abreu Valle
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