Mas
hoje publico a ‘tradução’ de um post
de janeiro de 2020, escrito pelo músico Glenn Hughes, famoso por sua
participação na terceira e na quarta fases da banda Deep Purple, além de ter feito parte da
Trapeze, Black Sabbath e de ter tocado e cantado no grupo de Gary Moore e, é
claro, importante citar também sua bem sucedida carreira solo.
No
post, Glenn escreve de uma forma bem
coloquial, feliz por estar com o amigo de longa data, o músico David Coverdale,
a voz principal da terceira e da quarta formações (da mesma forma que Hughes) da banda inglesa Deep Purple e o até
hoje líder da Whitesnake, ambas mundialmente famosas.
Importante
mencionar e explicar alguns fatos, em linhas gerais, caso o universo do rock
internacional não seja do conhecimento de alguns de vocês que estão lendo esse
texto.
Bem,
no ano de 1974, o Deep Purple era talvez o mais famoso
grupo de rock internacionalmente, pois seus shows eram os mais requisitados e ocupava a parte
de cima das paradas de sucesso no mundo todo. O ritmo acelerado de ensaios,
gravações e shows deteriorou a relação entre os músicos e um deles resolveu
pular fora. Logo o cantor Ian Gillan. E, para mudar o direcionamento da banda,
os membros originais, Blackmore, Lord e Paice, resolveram, com isso, dispensar
também o baixista Roger Glover.
A
maior parte dos grupos entra em colapso quando substituem membros de destaque.
Curiosamente isso raramente ocorreu com o Deep Purple. Para essa terceira
formação, chamaram o baixista e cantor Glenn Hughes, já conhecido no meio
musical pela sua banda Trapeze, não tão famosa quanto o Deep Purple, mas que
ocupava uma posição intermediária no circuito internacional.
Em
busca de um vocalista principal, escutaram centenas de fitas enviadas. Até que
gostaram de David Coverdale. No entanto, este, ao contrário de Glenn, era um
músico inexperiente, com apenas uma simples gravação amadora de estúdio, de uma
banda absolutamente desconhecida. Coverdale, na ocasião de seu teste com o
Purple, era um funcionário de uma butique em Yorkshire. A situação era tal que,
do primeiro show de David com o Deep Purple, os técnicos contam que ele mal
sabia sobre os equipamentos usados no palco.
Mas
a voz possante de Coverdale e sua determinação ajudaram o Deep Purple a criar
outra legendária fase. Pouco tempo depois de entrar já se apresentou com a
banda no imenso festival California Jam, diante de cerca de 250.000 espectadores em
um show até hoje considerado excepcional. Glenn e David lançaram 3 álbums com o
Deep Purple. Capas na montagem abaixo:
Bem,
e sobre o texto do post? Vamos lá!
Glenn: ‘Wiv me brother DC this afternoon in Beverly
Hills. Luv ya to da moon & back our kid.’
Primeira
tradução, para o próprio inglês:
‘With my brother David Coverdale this afternoon in
Beverly Hills. (I) Love you to the moon and back, our kid!’
Segunda
tradução, para o português:
‘Com
meu irmão David Coverdale, nessa tarde em Beverly Hills. Eu te amo até a lua e
de volta*, nosso garoto!’
* Como não usamos essa expressão em português, uma tradução melhor seria ‘mais do que tudo nesse mundo’.
* Como não usamos essa expressão em português, uma tradução melhor seria ‘mais do que tudo nesse mundo’.
Comentários:
1)
Wiv – a forma correta de pronunciar ‘with’
é usando a pronúncia interdental, algo como se falássemos com a língua presa.
Mas, de forma informal, escreve-se também como no post, pela proximidade da pronúncia do ‘th’ interdental com o ‘v’;
2)
me – a pronúncia do pronome pessoal do caso oblíquo (objeto) ‘me’, em frases como ‘look at
me’, por exemplo, é semelhante à pronúncia, em português, das letras ‘m’ e
‘i’ juntas, ‘mi’;
Já o adjetivo possessivo ‘my’
(em inglês), que significa ‘meu’, e fala-se como ‘mai’, em português, é
pronunciado em algumas regiões da Inglaterra e, curiosamente, às vezes por
membros da aristocracia inglesa, como se falássemos ‘mi’ em português. Portanto
ao escrever ‘me’, Glenn quer dizer ‘my’ falado como ‘mi’ e não como ‘mai’ (Ufa!);
3)
Beverly Hills é uma cidade do estado americano da Califórnia, conhecida por
suas mansões habitadas por celebridades. Também aparece em vários filmes
famosos;
4)
A expressão ‘Luv ya to da moon & back’
é, como no comentário 1, uma reprodução informal do jeito coloquial de falar as
palavras, ‘traduzidas’ para o inglês na sequência (acima);
5)
‘Our kid’, ‘nosso garoto’, tem a ver
com uma explicação acima. O jovem e inexperiente Coverdale teve que ser ‘abraçado’
pela banda para se tornar um astro do rock em tempo recorde. E nunca mais
deixou de ser. Mas foi tratado como calouro também, sendo vítima de
brincadeiras vindas dos músicos do grupo, principalmente do guitarrista
Blackmore.
E
o Deep Purple? A banda, que é de 1968, encerrou suas atividades em 1976, mas
retornou em 1984 com sua segunda formação. Após umas poucas trocas de músicos
continua na ativa, com lançamento de seu próximo disco de estúdio para meados
de 2020. O único membro original é o baterista Ian Paice. A maioria dos ex-integrantes do grupo também
continuam com suas respectivas carreiras, com exceção do primeiro vocalista,
Rod Evans, que sumiu do mapa, e do segundo guitarrista, Tommy Bolin, que morreu
em dezembro de 1976.
Espero
que tenham gostado e compreendido as explicações. E fiquem com ‘Burn’ do álbum
de mesmo nome, lançado em 1974, ao vivo no California Jam!
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Excelente post. Parabéns!
ResponderExcluirObrigado!!
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