sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Feliz Natal e Feliz 2022!

 

Esta mensagem é para as alunas e alunos, de hoje e de sempre, do Curso de Língua e Cultura, para as pessoas e empresas para as quais realizo e realizei traduções e consultorias, e também para as amigas e os amigos que acompanham minhas publicações culturais.
Agradeço-lhes pela confiança em meu trabalho nessas atividades!


Desejo-lhes um Feliz Natal e um 2022 com muita prosperidade!
E ofereço a canção ‘When a Child is Born’ cantada pela galesa Charlotte Church.
(Letra a seguir).

Ernesto Abreu Valle



A ray of hope flickers in the sky
A tiny star lights up way up high
All across the land dawns a brand new morn
This comes to pass when a child is born

A silent wish sails the seven seas
The winds of change whisper in the trees
And the walls of doubt crumble tossed and torn
This comes to pass, when a child is born

A rosy hue settles all around
You got the feel, you're on solid ground
For a spell or two no one seems forlorn
This comes to pass, when a child is born

It's all a dream and illusion now,
It must come true sometime soon somehow,
All across the land dawns a brand new morn,
This comes to pass when a child is born.
This comes to pass when a child is born.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Llívia: Espanhola, Francesa ou Catalã?


O continente europeu passou por muitas mudanças durante sua história. Invasões, guerras e acordos alteraram por inúmeras vezes seu traçado geopolítico, deixando certas excentricidades até nossos dias. Uma delas é la villa de Llívia.


Depois de guerrear por 10 anos, aliada à Inglaterra, a França venceu as tropas espanholas na batalha de Dunas, em 1658. A paz, firmada no Tratado dos Pirineus em 1659 pelos representantes de Felipe IV da España e Luis XIV da França, determinou perdas territoriais à Espanha. Mas, apesar de precisar quais localidades passariam para o controle francês, o tratado não se referia às vilas, que era o caso de Llívia. Ou seja, mesmo estando a cerca de 3 km dentro no território francês, é até hoje parte da (atual comunidade autônoma da) Catalunha, portanto espanhola.


A estrada N-154, vinda de Puigcerdá (dentro do território espanhol), curiosamente sem acostamento, conduz a Llívia.


Os idiomas falados em Llívia são o castelhano (espanhol), o catalão e um pouco de francês. A localidade, que não é reivindicada pela França, participa do movimento separatista da Catalunha. Portanto, é oficialmente espanhola, está dentro do território francês e deseja ser somente catalã!


Acompanhe um pouco de Llívia no vídeo a seguir:


Gostaria de aprender ou aperfeiçoar os idiomas inglês, espanhol, francês e saber mais da cultura dos países que falam os mesmos? Você e/ou sua empresa precisa(m) de consultoria profissional para viagens e/ou relações internacionais?

Ernesto Abreu Valle
Curso Particular de Língua e Cultura - Traduções - Serviços de Intérprete - Treinamento Fonético - Consultorias para Viagens e/ou Relações Internacionais.
Inglês - Espanhol - Francês
Cidade Nova - Cruzeiro-Anchieta, ou via Skype
Nos escritórios das empresas, em caso de consultorias.
Abaixo, cartão com os contatos.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

FIFA – Dois Idiomas Em Uma Sigla de 4 Letras?


Dedicado a meu pai, que comentava quando um jogador de futebol era uma artista: ‘Este joga Football Association’. Mesmo não falando o idioma, sua pronúncia era em inglês.

Neste início do maior campeonato mundial de um esporte, gostaria de lembrar de tempos mais românticos, voltando aos anos de 1863 e 1904. E trago uma pergunta: Por que a sigla FIFA é uma combinação de termos em francês e inglês?


Hoje, a sigla é considerada como sendo toda em francês: Fédération Internationale de Football Association. Talvez porque as palavras Football e Association sejam escritas, em francês, da mesma forma como em inglês. 

Mas, sobre o nome ser todo em francês, não é o que constato ao pesquisar a história da padronização das regras do futebol e de sua primeira associação de relevância.

Tudo fica muito claro ao investigar o assunto. O futebol, no formato que conhecemos, era um esporte amplamente disputado na Inglaterra. Mas, por muito tempo, não havia regras universalmente aceitas para jogá-lo. Cada local e, mais formalmente, cada escola, tinha suas próprias normas para as disputas. Uma bagunça só.

Então, membros da Universidade de Cambridge elaboraram e publicaram um conjunto de regras, as Cambridge Rules, em 1848, que foram amplamente adotadas. Também as Sheffield Rules, usadas por muitos clubes no Norte da Inglaterra a partir da década de 1850, se tornaram populares.


E, a partir de uma série de reuniões em Londres, em 1863, entre clubes de futebol, foi fundada a Football Association (e não Association Football), que adotava, com ligeiras modificações, o regulamento de Cambridge.


Nas décadas seguintes, o futebol foi também sendo disputado cada vez mais em outros países, inclusive no Brasil.

A FIFA foi fundada em 1904, em Paris, sem o apoio da Inglaterra, com o objetivo inicial de supervisionar a competição internacional entre as associações nacionais da Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Espanha, Suécia e Suíça.


Como foi fundada na França, foi natural que o nome estivesse em francês: Fédération Internationale de...

Mas as regras padronizadas eram as inglesas da... Football Association.

Pois bem, o termo ficou Fédération Internationale de Football Association, metade em francês, metade em inglês, uma demonstração não calculada, mas bem clara, de que os impérios Britânico e Francês ainda davam suas cartas no princípio do século XX.


Hoje, a FIFA, com sede em Zurique, conta com 211 associações nacionais. Como comparação, as Nações Unidas possuem 193 membros. É claro que o número é maior que o da ONU, pois, por exemplo, os ‘países’ que formam o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – ver texto nesse blog sobre o tema, datado de 10 de dezembro de 2016) estão registrados separadamente na FIFA. Na ONU estão como Reino Unido. E, outros estados cuja soberania ainda não é unânime, como Kosovo e Palestina, também fazem parte da entidade do futebol.


Infelizmente, escândalos de corrupção e polêmicas são por vezes lembrados quando nos deparamos com a sigla FIFA. Porém, creio que, ao longo dos seus 118 anos, a entidade conseguiu democratizar a participação de equipes, dos mais diversos pontos da terra, em seus campeonatos internacionais de clubes e seleções. Uma oportunidade, para quem assiste aos jogos, de aprender um pouco mais sobre outras culturas.


Com curiosidade final, os ingleses, não sei bem porque, traduzem a sigla FIFA como: International Federation of Association Football. Creio que há um equívoco nesse termo, que deveria ser, em inglês, International Federation of Football Association.

Como diz uma amiga, ‘vai saber...’


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Ernesto Abreu Valle

Curso Particular de Língua e Cultura - Traduções - Serviços de Intérprete - Treinamento Fonético - Consultorias para Viagens e/ou Relações Internacionais.

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Por Que ‘Copa’ do Mundo?


Ontem, na Rússia, teve início a mais popular competição esportiva internacional, a FIFA World Cup, a Copa do Mundo FIFA.

Mas, por que, no Brasil, chamamos a competição de Copa, se esse nome, quando começou a ser usado por nós, brasileiros, para nos referirmos ao Campeonato Mundial de Futebol, não estava em nossa língua formal?

Utilizando minha centenária biblioteca, pesquisei em antigos dicionários da língua portuguesa e o que normalmente encontrei foi:

Copa = ‘A parte superior e conexa da ramagem de uma árvore; Compartimento da casa onde se lavam e guardam os aparelhos de mesa.’

Bem, continuei minha pesquisa com base no fato de que, como a primeira copa tinha sido realizada no Uruguai, em 1930, esta naturalmente teria sido chamada de Copa del Mundo, pois a palavra taça, em português, significa copa, em espanhol.

Mas, estudando o cartaz oficial daquela competição, constatei que o nome oficial foi Campeonato Mundial de Football.

Na verdade, apesar da competição já ter sido realizada 6 vezes em países de língua espanhola, Uruguai (1930), Chile (1962), México (1970 e 1986), Argentina (1978) e  Espanha (1982), as únicas edições que usaram o nome Copa em seus cartazes foram as da Espanha e do Chile. E Copa del Mundo, somente a da Espanha.




Outro cartaz a trazer o nome Copa Mundial (desta forma, em espanhol e, porque não, já absorvido pelo português), foi o da competição realizada na Alemanha, em 1974, que, em uma versão mais completa, trazia os termos em alemão, inglês, francês, espanhol e, como infiro, em português.


Outra parte de minha teoria inicial foi em relação ao nome usado no terceiro Campeonato Mundial de Futebol, realizado na França, chamado oficialmente de Coupe du Monde. Como este foi transmitido por rádio para nosso país e teve uma ótima participação do Brasil (3º Colocado e com o artilheiro da competição, Leônidas da Silva, com 7 gols), o nome Coupe teria sido fixado na memória dos atores esportivos e dos torcedores.

Como curiosidade, o termo em francês, significa, além de mais de uma dezena 'de outros sentidos, 'troféu de atleta ou de equipe vitoriosa'. Em francês, dependendo do caso, a palavra coupe também significa taça.


Mas, como a seguinte Copa do Mundo, realizada no Brasil, só ocorreu em 1950, portanto 12 anos após a edição anterior, devido à 2ª. Guerra Mundial (1939 – 1945), a teoria da influência francesa sobre o nome Copa, em português, se enfraquece. E, para completar, o cartaz oficial da competição de 1950 trazia o nome Campeonato Mundial de Futebol – Taça Jules Rimet. Nada de Copa. Nada mesmo? Bem, um álbum brasileiro da época, sobre a competição, foi chamado Copa do Mundo.


Mas, para confundir mais um pouco, a música ‘A Taça do Mundo É Nossa’ (Wagner Maugeri / Maugeri Sobrinho / Vitor Dagô / Lauro Müller), gravada pelo grupo Titulares do Ritmo, composta para as comemorações da vitória do Brasil na competição de 1958, primeira vencida pelo Brasil, não fala de Copa. E o termo Taça do Mundo aparece 6 vezes. Abaixo, foto de uma edição posterior  (de 1970) do compacto.


A primeira edição a usar o termo World Cup foi a de 1966, realizada na Inglaterra. Apesar do futebol, da forma como conhecemos, ter sido criado na Inglaterra, aquela foi a primeira vez que em um país de língua inglesa organizou a competição.

O nome Cup é amplamente usado em inglês para várias competições esportivas, sendo definido nos dicionários de língua inglesa como troféu esportivo também. Mas, como recipiente para bebidas, é, na verdade, a nossa xícara, usado para café e chá, por exemplo. Para vinho e champagne, os falantes da língua inglesa usam glass.


Somente outros dois mundiais de futebol foram realizados em países onde a língua inglesa é oficial: Estados Unidos (1994) e África do Sul (2010).


Bem, mas minha geração, que cresceu escutando e vendo os vídeos do Campeonato Mundial do México, de 1970, já usava amplamente o termo Copa do Mundo, como podemos ver nas revistas Os Reis do Futebol, de 1970, e Copa 78.



E o nossos dicionários modernos já incluem, entre os significados da palavra, o uso esportivo que fazemos dela. O Aurélio, em uma edição de 1994, descreve a 7ª. opção de significado dessa forma: ‘Torneio desportivo em que se disputa uma copa ou taça’.

Sem uma conclusão da origem do uso em português pela pesquisa anterior, fui buscar no nome da mais antiga competição entre mais de duas seleções de nosso continente, disputada pela primeira vez, de forma oficial, em 1916. Afinal de contas, ele se chama Copa América. Mas, para minha tristeza, descobri que o nome Copa foi usado somente a partir da edição de 1975!


Então, finalmente, encontrei a opção mais válida, mais próxima de uma explicação convincente. Mesmo não acompanhando tanto o futebol hoje em dia, em minha adolescência eu seguia e também pesquisava sobre esse esporte. E, pelo fato de meu pai ser quase 60 anos mais velho que eu, escutava histórias vividas por ele, de outras épocas. Sei, desde criança, por exemplo, da Copa de 1938, escutada por ele através do rádio.

E eu me lembrei da Copa Roca (instituída pelo presidente argentino Julio Argentino Roca), chamada hoje de Superclássico das Américas, uma disputa entre Brasil e Argentina que teve sua primeira edição em 1914, mas não respeitando uma regularidade entre as edições e com vários formatos. A última disputa ocorreu na China, em outubro de 2014, com vitória do Brasil por 2x0.


Pois bem, é uma competição que levou o nome Copa já na sua primeira edição, vencida pelo Brasil na Argentina por 1x0. O histórico e mítico primeiro craque brasileiro Arthur Friedenreich fazia parte da seleção. O gol foi marcado por Rubens Sales.

A Argentina venceu pela primeira vez somente na terceira edição, em 1923. A foto do jornal, a seguir, é daquele ano. Creio que o nome se popularizou no Brasil como consequência da rivalidade com os argentinos e por ser de simples pronúncia, foi lentamente absorvido e hoje é utilizado, por exemplo, na nossa 2ª. maior competição nacional de futebol, a Copa Brasil.



Mesmo que a Itália não esteja participando da edição deste ano da Copa do Mundo, é uma das mais tradicionais seleções e duas edições do campeonato foram realizadas em seu território, em 1934 e 1990. O nome que está no cartaz oficial de 34 é Campionato Mondiale di Calcio (Calcio = Futebol), o que, é claro, não serviria para influenciar o termo Copa para o português.


Como curiosidade, completam a lista de sedes das Copas os seguintes países: Suíça (1954), Suécia (1958), França (2ª. Copa no país, 1998), Japão e Coréia (2002), Alemanha (2ª. Copa no país, 2006) e, é claro, Brasil (2ª. Copa no país, 2014).



O nome FIFA World Cup, já usado em 1974, voltou com força, e de forma oficial, a partir da Copa do Japão e da Coréia de 2002.


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