Havia
programado alguns artigos culturais para serem publicados em meu blog nesse
início de fevereiro. Mas, com a tragédia de Brumadinho, levando muitas vidas,
causando sérios danos ambientais, não consegui dar novos passos. Precisava escrever esse texto.
O
rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 21 de
janeiro, ocorreu há poucas dezenas de quilômetros de Belo Horizonte, cidade
onde moro.
Fui
à Casa Branca, distrito de Brumadinho, em quase todos os finais de semana,
durante um ano, pois ali morava minha namorada na época. Conversava com algumas
pessoas que lutavam contra as mineradoras e a sensação era sempre a mesma: algo
iria ocorrer a qualquer hora.
Uma
das vítimas da tragédia foi o professor e empresário Márcio Mascarenhas,
fundador da Rede Number One, escola de idiomas, e dono da pousada Nova
Instância, em Brumadinho, destruída pela onda de rejeitos que atingiu a região
após o rompimento da barragem. Também faleceram sua esposa Cléo e seu filho Márcio.
Caso
eu não tivesse nenhuma ligação com as escolas Number One, também prestaria essa
homenagem, pois Márcio foi um dos mais importantes empreendedores do ramo de
escolas de idiomas em Minas Gerais. Mereceria, com toda certeza, meu respeito e
meus sentimentos.
Mas
eu tive uma forte relação com as escolas Number One. Por dois anos, na minha
adolescência, estudei na sede, na Avenida Getúlio Vargas, entre agosto de 1982
e agosto de 1984. Completei o curso Dynamic (Básico) e iniciei o curso CAF
(intermediário), não continuando o mesmo, pois a escola regular estava
demandando muito tempo. Fotos dessa época eu não tenho, mas encontrei, em meus
documentos antigos, uma carteira de estudante (para cinema), que creio ter sido
assinada pelo próprio Márcio, e o comprovante de inscrição para o CAF 1.
Iniciei minha carreira como professor particular de idiomas quase 5 anos após minha saída do Number One, em 1989. Em abril de 2019 completarei 30 anos de profissão. Mas esse é assunto para outro texto, que escreverei no momento correto.
Só
é importante mencionar isso, pois, em 1994, por ser um professor com certa
experiência, fui convidado a lecionar na unidade do Number One do bairro Cidade
Nova. E trabalhei nessa e em outras unidades durante 6 anos e meio, entre
agosto de 1994 e janeiro de 2001, mesmo dedicando mais tempo a meu curso
particular de idiomas.
Aqui
não quero falar de metodologia e filosofia de ensino. Tenho uma abordagem bem
diferente do sistema Number One, que, no entanto, respeito muito e procurei
seguir da melhor forma quando estive como professor nas salas de aula das
escolas.
Gostaria
sim de falar que, quando me recordo das escolas Number One, eu me lembro de um
ambiente sempre muito agradável, cercado de professores, coordenadores,
secretárias, administradores, faxineiras e, é claro, de alunos, com alto
astral.
Após
a triste notícia do falecimento de Márcio, revi as fotos que tenho desses 6
anos e meio de Number One. Curiosamente são muitas. Sempre fui organizado e
pedia emprestado negativos dos filmes (assim era na época). Por isso tenho
essas lembranças.
Decidi
escolher uma foto bem significativa. Nela todos estão alegres. Assim era o
Number One Cidade Nova, unidade na qual eu lecionei por todo meu período nas
escolas.
Fui
apresentado ao Márcio durante uma festividade do Number One e o reencontrei em
mais umas poucas oportunidades. Mas, mesmo não sendo uma pessoa próxima, ele,
com toda certeza, fez e fará parte da minha formação educacional e
profissional.
Muito obrigado e parabéns
pelo seu trabalho. Aqui envio meus profundos sentimentos a toda sua família
pela perda de pessoas certamente tão queridas.
Márcio
vendeu a empresa de idiomas em 2017. No site oficial da administradora
dos franqueados não encontrei menção à morte do seu fundador. Uma lástima.
Mas
recebi, transmitida por uma amiga e aluna, mensagem escrita por Fátima e Marco,
franqueados para os quais trabalhei, e a unidade Number One Itapoã também homenageou
Márcio. Reproduzo aqui o texto desta:
“Com
muita tristeza, comunicamos o falecimento do nosso amigo e fundador da Rede
Number One, Márcio Mascarenhas. Sua pousada foi soterrada hoje na tragédia de
Brumadinho. Márcio gozava de sua recente aposentadoria e faleceu ao lado se sua
esposa Cléo e de seu filho Márcio. Nesse momento difícil, nossa equipe solidariza-se
com seus familiares”.
Márcio, esposa e filho, que descansem em paz.
Envio também meus sentimentos às famílias de todas as vítimas fatais.
Ernesto
de Abreu Valle





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